Era assim que nos tratavamos. Dom Julio como está? Dom Luis como vai? Morreu, morreu antes de ontem um ilustre transmontano que há várias décadas vivia em Lisboa. Neste blog presto homenagem à sua pessoa, à sua memória. Não faz parte dos meus hábitos de escritor de tempos livres dedicar linhas à memória de pessoas que nos vão deixando. Mas desta vez não pude resistir de escrever umas linhas de tributo a este cavalheiro. Dom Luis, Luis Gonzalez de seu nome, nascido na aldeia de Eiriz, no concelho de Vila Pouca de Aguiar. Aqui passava alguns meses por ano, sempre ligado à terra, um verdadeiro apreciador das mais-valias de uma agricultura de subsitência que proporciona um menu de prazeres raros. Aqui era conhecido por o Luis Espanhol, devido à dua descendência galega. Morreu na quarta-feira passada, apenas soube hoje. Neste preciso momento decorre o acto fúnebre desse ilustre que ficará sempre na minha memória e que imortalizo com este trecho. Não vou poder estar presente no último Adeus. Estou distante. À sua alma, paz e descanso. À sua memória, o cavalheirismo.
Conheci este homem quando eu era ainda muito jovem, e ele também. Trocamos algumas boas impressões sobre a vida e a melhor forma de usufruir da existência. Era um amante de cartas. Passamos horas a jogar cartas, muito chato às vezes, mas sempre a convidar para jogar cartas. Suéca. Pois é, não a mulher, mas o jogo. Quanto a mulheres, também fez bem a sua parte. Vida dupla com dois casamentos e relacionamentos não muito fáceis de discernir. mas de certeza que ele sempre soube gerir as eventualidades e circunstâncias. Deixa para trás memórias para muitos que com ele conviveram. Deixa aos seus netos o legado de todos saberem jogar cartas e o complicado entendimento de ter de chamar avó a uma mulher e tia a outra. Sempre apreciei a sua alegria na forma como lidava com os netos. Sobretudo aqueles que também partilham da minha consaguinidade.
Não posso ficar com o sentimento de ter falhado este último momento, mas Dom Luis sabia que eu estava muito longe e que de facto já não nos viamos há sensivelmente dois anos. Hoje, enquanto saboreava uns raios de sol, raros pelas paragens onde ando, o telefone toca, era a minha mãe. Dáva-me a a notícia que já tinha dois dias de atraso. Afinal mesmo as más notícias correm devagar.
Ao Dom Luis deixo o meu Adeus e que na memória dos mais próximos seja sempre recordado.
